Jesus Cristo – perfeito Deus e perfeito homem – goza de todas as virtudes em grau máximo, inclusive a da humildade, que aparentemente não seria apropriada para Deus. Nesse sentido, é na confluência das quatro virtudes cardeais – prudência, justiça, fortaleza e temperança – com as três virtudes teologais – fé, esperança e caridade – que se encontra a verdadeira essência do ser humano, isto é, a santidade. Os dons do Espírito Santo e as bem-aventuranças evangélicas terminam de compor esse quadro, que sacia e eleva todos os anseios do coração humano. Em Virtudes: experiências humanas e cristãs, Juan Luis Lorda responde a esta sincera pergunta existencial: é possível realmente melhorar como pessoa? Mesmo que continuemos livres e imperfeitos até a morte, com a graça de Deus aperfeiçoamos de tal modo a nossa natureza, que não só reconhecemos o bem e decidimos pô-lo em prática, como também gostamos imensamente de fazer isso. As nossas ações passam então a condizer com tudo aquilo em que acreditamos, de modo que inclusive os nossos erros acabam servindo a um propósito maior, pois "tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus" (Rm 8,28).