Se a Modernidade foi caracterizada pela experimentação de formas estéticas externas ao indivíduo como o cinema, a videoarte e a instalação e, em alguns casos, pela inauguração de formas abertas (Umberto Eco) produzidas a partir da colaboração entre autor e espectador como o dadaísmo, o cubismo e a dodecafonia, em épocas mais recentes, as inovações tecnológicas e o incremento da conectividade em rede levaram à alteração da experiência sensorial, promovendo, como afirma o filósofo italiano Mario Perniola, formas inorgânicas do sentir e permitindo a instauração de um tipo inédito de sentir transorgânico, nem propriamente subjetivo, nem propriamente tecnológico. Inspirado na reflexão de Perniola, este livro é dedicado ao estudo da sensibilidade e a suas (novas) modalidades contemporâneas na relação com dispositivos e tecnologias digitais cada vez mais presentes: smartphones, tablets, inteligência artificial, realidade aumentada, realidade virtual. Em que medida esses recursos alterariam nossos sentidos? Como a percepção sensorial seria ressignificada a partir da profusão de imagens a que hoje somos expostos, que produzimos ou que modificamos? Com o objetivo de oferecer chaves de leitura para esses temas, a obra apresenta um conjunto de textos de professores e professoras brasileiros e estrangeiros que trazem enquadramentos oferecidos pelos contextos culturais onde lecionam.