Em uma entrevista sobre o futuro do mundo e da Igreja, realizada em Roma em 1982, perguntaram a Karl Rahner quais eram, em sua opinião, os problemas teológicos mais urgentes. O teólogo alemão respondeu sem hesitar que, no fim das contas, eram os mesmos de sempre: Os problemas teológicos mais antigos, que são, no fundo, também os mais atuais: Como é possível uma experiência autêntica de Deus? Como posso saber verdadeiramente que Deus se revelou, em Jesus Cristo, de forma absoluta e definitiva?. O eco dessas perguntas retorna também hoje: ainda faz sentido falar de Deus em nosso tempo? A questão parece tudo menos superada, enquanto herdamos a estrutura histórica do século XX que, atravessada por catástrofes e mudanças épicas, liquidou a questão sobre Deus ou, no máximo, relegou-a às margens da vida e de uma religiosidade privada. Deus está agora nos limites da vida, nessa margem da história. Trata-se de um desafio que exige que a reflexão teológica saia do canto, tomando consciência do fato de que o cristianismo está agora em uma posição minoritária: enquanto pretende ainda representar a todos, na verdade tende a se tornar uma seita, cuja linguagem e gestos ninguém mais compreende.