Se há um mistério por trás de qualquer pecado, chamado pela teologia espiritual de mysterium iniquitatis, pelo fato do sujeito livremente infligir o mal a si mesmo e aos outros com a permissão do Deus todo-poderoso e bondoso, não deixa de ser também misterioso o modo pelo qual esse mesmo Deus tira sempre um bem maior dessas iníquas ações humanas. Posto que o entendimento se mostra então limitado, a vontade toma o seu devido protagonismo, e arde em altas labaredas quando aceita albergar a amorosa graça divina, tanto no corpo como na alma da criatura. Esta obra, que leva por subtítulo “Provas do ardente amor que Jesus nos tem testemunhado na obra da nossa Redenção”, aborda extensamente a total gratuidade do amor que Deus tem por cada um de nós, manifestada sobretudo na Encarnação e na Redenção. Publicada originalmente em 1853, fala do desejo de sofrer por amor a nós que Cristo pôs em prática ao longo de toda a sua vida. O autor se detém particularmente nos sofrimentos da Paixão de Nosso Senhor, deixando claro que só quando o pecado é respondido com o amor o ser humano torna-se capaz de se identificar com Deus.